Índia

Visitar a Índia: Roteiro, Dicas de viagem e Preparação

Viajar para a Índia é entrar num mundo onde tudo se sente com mais intensidade: as cores vibrantes, os aromas das especiarias, os sons caóticos e a espiritualidade presente em cada esquina. É um país de contrastes que desafia, surpreende e transforma qualquer viajante. A Índia testa os nossos limites da humanidade. É impossível viajar para a Índia e vir de lá igual. E a verdade é que é, de facto, um mundo à parte. Ou se ama, ou se odeia!
Aqui vamos partilhar as nossas experiências reais, dicas práticas e úteis, roteiro e muito mais! Se procuram inspiração para visitar a Índia, saber quando ir, o que visitar, os documentos necessários, condições de higiene e saúde e muito mais este é o ponto de partida. Preparem-se para uma viagem intensa, autêntica e inesquecível pelo coração do sul da Ásia.

Como preparar uma viagem à Índia

Preparar uma viagem à Índia exige algum planeamento, mas a recompensa é uma experiência única e transformadora. Por mais que leiam e ouçam relatos de outros viajantes, nada vos prepara para o que vão ver e viver. No entanto, achamos fundamental que devam estar minimamente preparados e saber ao que vão. Garanto-vos, assim o choque não é tão grande!

O primeiro passo é preparem-se mentalmente. Sim, isso mesmo! Para marcar uma viagem à Índia têm de estar com o coração e mente abertos. Abraçar uma nova cultura, sem julgamentos. Acreditem, vão ver muitas coisas revoltantes…
O segundo passo é tratar da marcação dos voos, seguro de viagem, documentos necessários e ir a uma consulta do viajante.
O terceiro passo será montar o roteiro, deslocações e alojamento. O último (e não menos importante) é aproveitar a viagem!

Sugerimos que vão com expectativas flexíveis. A Índia pode ser caótica, barulhenta e desafiante, mas também profundamente inspiradora. Aceitar o ritmo do país torna a viagem muito mais rica. Com a preparação certa, viajar para a Índia torna-se uma experiência inesquecível. É um destino que não se visita apenas — sente-se.

Como ir

Não existem voos diretos de Portugal para a Índia, por isso a viagem é feita com uma ou duas escalas. As principais companhias aéreas voam a partir de Lisboa ou Porto.

A nossa sugestão (foi o que fizemos) é procurar em motores de busca (momondo ou skyscanner, por exemplo) e colocar as datas aproximadas pretendidas. Daí criar alertas de preço. Quando conseguir um preço mais baixo irá receber no email e está então na hora de reservar os voos.

Visto e requisitos para a Índia

Os cidadãos portugueses precisam de um passaporte com uma validade mínima de 6 meses, com pelo menos duas páginas em branco.

Além disso, não existe isenção de visto quer para cidadãos portugueses, quer para cidadãos brasileiros. Assim, terá de tratar do seu visto para entrar no país. O e-Visa é a opção mais simples e deve ser pedido online antes da viagem, visto não ser possível pedir o visto à chegada.

Tipos de e-Visa turístico mais comuns:

  • 30 dias (entrada dupla) – 10$ de Abril a Junho; 25$ de Julho a Março
  • 1 ano (entradas múltiplas) – 40$
  • 5 anos (entradas múltiplas) – 80$

O que é necessário para pedir o e-Visa:

  • Passaporte digitalizado em PDF (as duas primeiras páginas do passaporte onde são visíveis a fotografia e os detalhes).
  • Fotografia tipo passe (sem cabelo a tapar a cara, olhos abertos e sem óculos. O fundo deve ser de cor clara ou branco).
  • Pagamento online com o cartão Revolut, por exemplo. Acrescentem 2 USD ao valor do visto pois o governo adiciona uma taxa de 1 USD).
  • Endereço de alojamento na Índia (pode ser hotel).

O e-Visa deve ser pedido no site oficial do governo indiano. O visto costuma ser aprovado em poucos dias, mas é aconselhável pedir com 1 a 2 semanas de antecedência.

Veja aqui os destaques da nossa viagem

Queremos alertar-vos para uma situação

O visto só pode ser pedido com um mês de antecedência e num dos campos a preencher pede a vossa data de chegada estimada (que de nada serve). O que nos aconteceu? Fizemos o pedido do e-Visa turístico de 30 dias a 29/09 e quando o mesmo foi aprovado e enviado reparámos que a data limite de entrada no país era 29/10, precisamente o dia em que chegávamos. Ora, se houvesse cancelamentos de voos ou atrasos, já não conseguiríamos entrar na Índia.

Conclusão: Não façam o visto com tanto tempo de antecedência. Recomendamos três semanas ou quinze dias antes da vossa viagem!

Depois, no e-mail que recebem deve aparecer “Application Status: Granted”, que é quando o visto está aprovado! Para obterem o visto, basta seguirem as indicações desse mesmo e-mail. É esse o documento que devem imprimir e apresentar à chegada do país.

Se acharem este processo muito confuso ou não conseguirem fazê-lo de forma independente, recomendamos que recorram a esta agência que irá emitir o vosso visto atempadamente.

À chegada à Índia

À entrada no país, as autoridades vão pedir:

  • Passaporte
  • Cópia do e-Visa aprovado
  • Bilhete de saída da Índia
  • Comprovativo de alojamento
  • Formulário de Entrada (dão no avião ou encontram antes de chegar à imigração. Levem caneta)

Recomendamos que levem tudo impresso e em formato digital.

Seguro de Viagem

É obrigatório viajar com seguro de viagem? Não, não é. Mas nem sequer colocámos a hipótese de não fazer. Aliás, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, nas suas recomendações para viagens à Índia, destaca a importância de viajar com “um seguro que cubra todas as eventualidades durante a viagem, incluindo os riscos associados à COVID-19”.

Como sempre, recorremos à IATI Seguros. Têm os melhores preços do mercado, sem franquias, e melhor, com atendimento em português. Foi sem dúvida alguma a melhor coisa que fizemos. Neste caso em particular, fizemos o IATI Mochileiro + cancelamento.

Esperemos que não tenham de activá-lo claro, mas convenhamos, viajar assim é muito mais seguro. Até porque na Ásia os cuidados médicos, por exemplo, podem ser um pequeno balúrdio. Nós tivemos de accionar o seguro na Tailândia e correu tudo bem!

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Quando ir

Sendo a Índia um país tão grande é difícil escolher a melhor altura para visitar. Mas vamos tentar simplificar: Outubro a Março é, de forma geral, a melhor época para visitar o norte e centro da Índia, que inclui três dos estados mais visitados da Índia: Rajastão, Uttar Pradesh e Madhya Pradesh.

Nesta altura do ano, o clima é mais seco e agradável, com temperaturas entre os 20-30°C e praticamente não chove. Este período é considerado época alta na Índia, pelo que os preços de voos e alojamentos tendem a ser mais elevados.

Moeda e câmbio

A moeda indiana oficial é a Rupia Indiana, representada pelo símbolo ₹ e pelo código internacional INR (1€ ~ 100 INR). As notas mais comuns são de 10, 20, 50, 100, 200, e 500₹. Já as moedas são de 1, 2, 5 e 10₹.

Podem trocar dinheiro nos bancos e casas de câmbio, mas não o façam na rua e evitem sempre os aeroportos que têm péssimas taxas de câmbio. Tal como quando viajamos para outros países, na Índia não foi excepção. O cartão Revolut foi o nosso melhor amigo. Sempre que possível pagávamos com o cartão multibanco. Para fazer levantamentos, existem vários ATM espalhados pelas cidades. Recomendamos que recorram a um SBI ou um banco Baroda (únicos bancos indianos que não cobram taxas nem comissões).

Ainda no aeroporto de Deli, nas chegadas, há um SBI e foi mesmo aí que levantámos dinheiro sem taxas. Saibam ainda que a Índia é dos países mais económicos para viajar.

Wi-Fi e planos de dados de internet

Não é recomendado utilizar os nossos dados móveis na Índia, pois pagamos roaming. Assim sendo, a melhor opção para estar sempre contactável e ter internet é comprar um eSIM da Holafly.

Mal o avião aterra, ficam logo conectados e os pacotes incluem dados ilimitados, o que evita custos de roaming elevados. Além disso, é uma opção bastante prática, evitando que percam tempo a recorrer às empresas do aeroporto e não têm de tirar o vosso cartão SIM do telemóvel. Através deste link, têm 5% de desconto, aproveitem!

Idioma

A Índia tem duas línguas oficiais a nível nacional: hindi e inglês. O hindi é a língua mais falada, sobretudo no norte e centro do país. No entanto, o inglês é amplamente utilizado na administração, nos negócios, no turismo e na educação, o que facilita bastante a comunicação com viajantes estrangeiros.

A Índia reconhece oficialmente 22 línguas e existem mais de 1.600 idiomas e dialectos no país. Mas apesar da enorme diversidade linguística, viajar pela Índia sem falar hindi não é um problema. O inglês funciona como língua de ligação entre regiões e é amplamente compreendido no contexto turístico.

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Deixamos algumas frases/palavras básicas em hindi:

  • Olá: Namastê
  • Obrigado: Dhanyavaad
  • Sim: Haan
  • Não: Nahin
  • Quanto custa?: Kitna hai?
  • Desculpa: Maaf kijiye

Cultura e Religião

Para quem visita, a Índia é intensa e até desconcertante, mas compreender melhor as suas tradições ajuda a tornar a viagem mais respeitosa e enriquecedora.

Religião

A Índia é o berço de várias religiões importantes e acolhe uma enorme diversidade religiosa. As principais religiões praticadas são o Hinduísmo (praticado pela maioria da população), o Islamismo (a segunda maior religião), Cristianismo, Siquismo, Budismo e Jainismo. É comum encontrar templos, mesquitas e igrejas lado a lado, refletindo a convivência religiosa do país.

Ao visitar os templos é muito importante respeitar as suas regras:

  • Usar roupa que cubra ombros e joelhos
  • Retirar os sapatos antes de entrar em templos
  • Evitar demonstrações públicas de afecto
  • Pedir permissão antes de fotografar pessoas ou cerimónias

Estas regras aplicam-se tanto a homens como a mulheres.

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Tradições e costumes/curiosidades

  • As vacas são consideradas sagradas no hinduísmo e são veneradas como símbolos de pureza e fertilidade. Assim sendo, é frequente ver vacas soltas nas ruas.
  • Comer com a mão (sem utilizar talheres) é muito comum. Se quiserem comer com as mãos, certifiquem-se de apenas usar a mão direita – nunca usem a esquerda, pois é considerado uma atitude impura e utilizada para meios pouco higiénicos.
  • Tocar na cabeça de alguém pode ser visto como desrespeitoso.
  • A família tem um papel central na sociedade.
  • Na Índia é reconhecido oficialmente o terceiro sexo, quando os indivíduos não se definem completamente nem como homem, nem como mulher. São as Hijras.
  • Legalmente, o sistema de castas é proibido na Índia. No entanto, a sociedade ainda se encontra dividida em grupos hereditários. A casta é passada de pai para filho e não pode haver casamentos fora da mesma casta, já que não é permitida a mobilidade social.
  • Na maioria, os casamentos ainda são arranjados pelos pais e podem durar alguns dias.
  • Os indianos andam sempre a mascar paan (noz de areca envolvida em folha de bétel, que tem efeitos estimulantes) e cospem para o chão.
  • Abanam a cabeça enquanto falam, como se nos quisessem dizer “Não”. Até podem estar a dizer que sim e a abanar a cabeça, mas é apenas um hábito. Ao início é estranho, mas depois habituamo-nos.
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Os festivais são uma parte essencial da cultura indiana e muitos estão ligados à religião. Alguns dos mais conhecidos são o Diwali (festival das luzes), o Holi (festival das cores) e o Eid (celebrado pela comunidade muçulmana). Nós viajámos na época do Diwali (inicialmente sem saber), e podemos garantir que realmente é um grande evento repleto de festividades vibrantes, rituais espirituais e encontros sociais. Fazer parte de um festival tão importante foi dos melhores momentos que vivemos na Índia.

Electricidade

A corrente eléctrica na Índia é de 230V/50Hz. As fichas de dois pinos que utilizamos na Europa funcionam na grande maioria das tomadas indianas. No entanto, aconselhamos a levarem um adaptador na mala. Nós levámos, mas não houve necessidade de utilizar.

Condições de higiene e saúde

Todos já vimos vídeos das condições do país. Portanto, creio que sabemos (mais ou menos) ao que vamos! Daí ser tão importante  tomarmos todas as medidas e precauções de forma conscientes para evitarmos ao máximo ficar doentes. Começamos, claro, pela Consulta do Viajante. Achamos que é muito importante consultar um profissional de saúde para obter orientações actualizadas. Não existe nenhuma vacina obrigatória para viajar para a Índia, no entanto nós tomámos a vacina da Hepatite A e da Febre Tifóide. Além disso, levámos uma farmácia com medicamentos, protector solar, repelente de insectos e desinfectante das mãos.

Recomendamos altamente ainda fazerem um bom seguro de viagem, especialmente quando se trata se viagens para países onde as condições de higiene são muito precárias. Como sempre, recorremos à IATI Seguros. Têm os melhores preços do mercado, sem franquias, e melhor, com atendimento em português. Foi sem dúvida alguma a melhor coisa que fizemos. Neste caso em particular, fizemos o IATI Mochileiro + cancelamento.

Ficar doente nunca é bom… mas em viagem ainda é pior! Um dos temas mais pesquisados por viajantes é a chamada “Delhi Belly”, que é a expressão usada para descrever problemas gastrointestinais comuns entre turistas.

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Dicas essenciais sobre comida e bebida na Índia:

  • Nunca se deve beber água da torneira. Não consumir gelo.
  • Utilizar sempre água engarrafada lacrada, inclusive para escovar os dentes.
  • Preferir comer em restaurantes grandes e movimentados. Nós nunca arriscámos em comer comida de rua, preferimos sempre os restaurantes.
  • Optar por alimentos bem cozinhados e quentes. Nós praticamente virámos vegetarianos e raramente comemos carne ou peixe.
  • Ter cuidado com frutas já descascadas.
  • Preferir refeições não picantes.
  • Convém ter sempre álcool em gel e lenços. É comum comer com as mãos e é necessário higienizar as mãos muito bem antes e depois.
  • Se estiver muito difícil a adaptação, apostar nas redes internacionais (McDonald’s, Domino’s, etc.).

Seguindo estas regras, dificilmente terão problemas de saúde mais graves. A nossa experiência foi: todos os dias tínhamos uma descarga matinal, mas não passava disso. Andámos sempre bem dispostos e sem cólicas ou dores.

Um outro problema que o país enfrenta é a poluição do ar, especialmente no norte do país. Cidades como Deli podem apresentar níveis elevados de poluição em determinadas épocas do ano. Nós presenciámos isso em Jaipur, devido ao fogo de artifício no Diwali!
Assim sendo, recomendamos o uso de máscara em áreas muito poluídas e que vão acompanhando os índices locais de qualidade do ar.

As condições de higiene e saúde na Índia exigem cuidados adicionais, mas não devem ser um impedimento para conhecer este país fascinante. Com informação, bom senso e preparação, é possível desfrutar de uma viagem segura.

Transportes

A Índia é um país enorme, pelo que existem várias formas de se deslocar. Com mais de 1,4 mil milhões de habitantes, o país possui um dos sistemas de transporte mais extensos e diversificados do mundo.

✈️ Avião

Uma das formas mais cómoda e rápida para longos trajectos é de avião, nos voos internos. Existem várias companhias que oferecem os mesmos trajectos: AirAsia, IndiGo, Air India, SpiceJet, etc. Antes de comprar a viagem de qualquer voo interno, é importante considerar se irá precisar de despachar bagagem. Isso influencia muito na hora da escolha. Às vezes o bilhete pode ser muito barato, mas o valor a pagar pela bagagem é alto. Outras companhias aéreas podem oferecer bilhetes mais caros, mas já com o despacho de malas incluído. Ainda assim, saiba que comprando com alguma antecedência, os voos internos são baratos.

🚂 Comboio

O sistema ferroviário indiano é um dos maiores do mundo e a forma mais popular de viajar longas distâncias. É uma opção confortável e económica para se deslocar e existem imensas linhas e vários comboios com todas as classes.

Como reservar

Recomendamos comprar os bilhetes com antecedência, especialmente em alturas festivas. A compra pode ser feita online no site oficial da Indian Railways, no entanto não é um processo fácil. O site não é muito responsivo, dá alguns erros e o registo não é intuitivo. Mas, com alguma paciência, funciona. Nós somos a prova disso, que após várias tentativas e e-mails, conseguimos comprar todas as viagens que precisávamos pelo site.
Se não conseguirem, existe uma forma mais fácil e cómoda de garantir os bilhetes, utilizando o site 12Go, uma agência que cobre toda a Ásia e funciona bastante bem.

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Podem ainda comprar directamente no hotel ou na estação, mas achamos mais conveniente online, sendo que assim garantem a classe e lugar que pretendem.

Classes de comboio

Um dos aspetos mais confusos para quem viaja pela primeira vez são as classes dos comboios indianos. Listamos as características de cada uma:

  • Unreserved General Class (UR) – classe mais económica e sem lugares reservados. É o “salve-se quem puder”.
  • Second Sitting (2S) – classe muito económica com lugares marcados. Não tem ar condicionado.
  • Air Conditioned Chair Car (CC) – classe confortável e económica. Tem 3 cadeiras de um lado do corredor e 2 do outro. Os bancos são reclináveis, há espaço para as malas e tem ar condicionado.
  • Executive chair car (EC) – classe com lugares sentados, com ar condicionado, dedicadas principalmente a viagens de curta duração entre cidades.
  • Sleeper Class (SL) – classe mais económica dentro dos comboios com camas. Os compartimentos são abertos e não existem cortinas. Cada compartimento tem 6 camas, 3 de cada lado e também existem 2 camas ao longo do corredor. Não tem ar condicionado nem roupa de cama.
  • AC 3 Tier (3A) – bastante semelhante à sleeper class, mas tem ar condicionado e roupa de cama.
  • AC 2 Tier (2A) – nesta classe existem apenas 4 camas por compartimento (2 de cada lado), e duas no corredor. Existem cortinas que permitem uma maior privacidade. Tem ar condicionado e roupa de cama.
  • AC First Class (1A) – esta é a classe mais cara. Os compartimentos têm portas que trancam e duas ou quatro camas. Fornecem roupa de cama e têm ar condicionado.

Resumindo: se querem o mínimo conforto e preços razoáveis escolham sempre que possível a classe 2A ou 1A.

Veja aqui os destaques da nossa viagem

Dica valiosa que serve para esta ou qualquer outra viagem: levem convosco sempre lençóis na mala, ou pelo menos fronhas de almofada. Assim sabem com certeza onde se estão a deitar!

Encontrar o comboio e lugar

As estações de comboios são bastante movimentadas, barulhentas e com muitas plataformas. Por isso, recomendamos chegar cedo e com calma. Regra geral, no hall principal das estações existe um placar com informações sobre o número de linha de onde parte cada comboio. Deve-se verificar essa informação e confrontar com o bilhete.

Os comboios são enormes e contam com várias carruagens. A maneira mais simples é entrarem directamente na carruagem da classe que escolheram aquando a compra dos bilhetes. Assim, não têm de percorrer o comboio cheio de gente até encontrarem a vossa carruagem. Para isso, saibam que as carruagens estão identificadas com a classe na parte de fora, para facilitar esse processo. Existem algumas estações que têm placas penduradas ao longo da plataforma, indicando o local onde cada carruagem vai parar. Pode também ser uma ajuda.

Depois basta procurarem os números dos vossos lugares, bem como se as camas são superiores ou inferiores (está tudo detalhado no bilhete).

Ao início parece muito confuso, mas depois de perceberem como funciona, mais simples não há. Dado o número de comboios na Índia em movimento e a duração média das viagens, é inevitável ocorrerem alguns atrasos. Vão cientes disso!

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Dicas úteis

  • Levem comida e água. Costumam vender nas estações ou dentro do comboio, mas pareceu-nos com poucas condições de higiene.
  • O ar condicionado costuma estar muito forte. Recomendamos que levem um casaco ou roupa mais quente.
  • Não dêem ouvidos a ninguém, muito menos dêem o vosso bilhete para as mãos de alguém. Podem tentar enganar-vos.
  • As casas de banho não são as mais limpas de sempre. Temos de ir com mente e espírito abertos. Levem sempre lenços de papel ou toalhetes humedecidos.
  • Se fizerem escalas de ligação, reservem algum tempo (uma a duas horas) entre elas.
  • Apesar de nos sentirmos sempre seguros, recomendamos que usem cadeados na mochila e que guardem os objectos de valor (documentos inclusive) convosco.

🚌 Autocarro

Os autocarros na Índia ligam praticamente todas as cidades e vilas. No entanto, comparativamente com os comboios não são de todo a opção mais confortável.

Muitos autocarros não têm casa de banho, a condução é péssima e não existem paragens de autocarro. Assim sendo, recomendamos apenas esta opção se não existirem comboios no trajecto pretendido e queiram poupar dinheiro.

🛺 Tuk Tuk

O tuk tuk é o meio de transporte mais icónico da Índia e trata-se de um pequeno veículo motorizado de três rodas. Perdemos a conta ao número de tuk tuks que andámos nesta viagem, visto que é a maneira mais fácil e mais económica de nos deslocarmos dentro das cidades. Mas, além de ser um meio de transporte muito prático, é também uma experiência e uma aventura para turistas!

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São muito coloridos, barulhentos e circulam facilmente no trânsito caótico. É essencial perguntar sempre o preço antes da viagem e claro, negociar.

Se não gostam de negociar ou simplesmente não se querem chatear, recomendamos que chamem um Uber ou Ola (apps de transporte). Na verdade, reparámos que na maioria das vezes ficam muito mais em conta do que negociar na rua.

Alojamentos

Escolher os alojamentos na Índia pode parecer desafiante à primeira vista, dada a enorme diversidade de opções, padrões de conforto e preços. No entanto, é possível encontrar estadias confortáveis, seguras e adequadas a qualquer orçamento. Além disso, é necessário ter especial atenção porque as fotografias e descrição podem não corresponder à realidade. Recomendamos que leiam sempre os comentários de outros turistas. Os alojamentos são muito baratos, mas desconfiem de preços excessivamente baixos.

Deixamos a lista de alojamentos em que ficámos. No geral, gostámos de todos:

Além destes, para poupar tempo e dinheiro entre as deslocações, fizemos quatro viagens de comboio nocturno. Não esperem grandes luxos, mas pensávamos que iria ser pior.

Roteiro de 15 dias

No total, nós ficámos 15 dias completos na Índia. Sendo um país tão grande, em 15 dias, é impossível “ver tudo”. No entanto é perfeitamente possível sentir a essência do país, mergulhar na sua diversidade e regressar com histórias que ficam para a vida. Se não conseguem ter esse tempo disponível, diríamos que no mínimo deveriam dedicar 10 dias ao país. Se têm mais tempo, perfeito!

Dia 1 – Nova Deli

A nossa porta de entrada no país foi Nova Deli, já de noite (portanto não contámos este dia para o roteiro). O nosso hotel tinha transfer incluído do aeroporto para o hotel, o que foi ouro sobre azul.

Logo pela manhã, chamámos um tuk tuk que andou connosco praticamente o dia todo, esperando-nos à porta dos locais visitados. A primeira paragem foi no Templo de Lotus. Este templo tem o propósito de acolher todos aqueles que veneram Deus, independentemente da religião em que acreditam, promovendo a união da humanidade. Foi construído em mármore branca e tem o formato de uma flor de lótus, por ser um símbolo reconhecido em muitas religiões do mundo! A entrada é gratuita e não se pode fotografar o seu interior.

De lá, seguimos para o Túmulo de Humayun (entrada 600 INR). O túmulo foi mandado construir pela viúva do imperador Humayun, seguindo uma simetria rigorosa com um jardim dividido em quatro partes por canais de água. Além disso, o edifício central, em arenito vermelho com detalhes em mármore branco, ergue-se também de forma perfeitamente simétrica.

Este mausoléu é, inclusivamente, apontado como a principal inspiração para a construção do Taj Mahal, em Agra, um século depois.

Depois de uma paragem para almoçar (recomendação do nosso motorista), fizemos uma breve paragem no Agrasen ki Baoli. Este antigo poço de degraus é um dos exemplos mais fascinantes da engenharia tradicional indiana, construída para armazenar água e oferecer abrigo do calor intenso.

Assim sendo, seguimos viagem até Jama Masjid. Este é provavelmente o santuário muçulmano mais importante da Índia. Erguida em arenito vermelho e mármore branco, conta com três grandes cúpulas de mármore, dois minaretes com cerca de 40 metros de altura e um enorme pátio capaz de acolher mais de 25 mil fiéis.

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Devemos ter atenção a estas regras, antes de visitar a Jama Masjid:

  • Vestir roupa modesta (ombros e pernas cobertos).
  • Os sapatos têm de ser deixados à entrada.
  • Silêncio e respeito durante as orações.
  • A entrada na mesquita é gratuita mas paga-se uma taxa para tirar fotografias, seja de telemóvel ou com máquina fotográfica (300 INR).

Dali fomos conhecer apenas por fora o Red Fort. Por trás das suas muralhas de arenito vermelho, desenrolaram-se capítulos decisivos da história do país e é um dos monumentos mais importantes da Índia.

Ainda naquela zona é possível visitar o Mercado Chadni Chowk e Old Delhi. É aqui que conhecemos a capital mais crua, mais autêntica e mais viva. Esta zona é constituída por um emaranhado de ruas atoladas de gente, com muito comércio e distrações.

Aqui têm mesmo de ir de mente aberta. Não se trata de lugares “bonitos” no sentido clássico. São intensos, contraditórios e desconfortáveis. Vê-se muita pobreza, em condições desumanas até.

Resumo do 1º dia:

  • Templo de Lotus
  • Túmulo de Humayun
  • Agrasen ki Baoli
  • Jama Masjid
  • Red Fort
  • Mercado Chadni Chowk e Old Delhi

Dia 2 – Nova Deli + Jaipur

Este segundo dia foi ligeiramente mais curto, pois tínhamos viagem marcada para outra cidade. Ainda assim, conseguimos visitar alguns pontos da parte da manhã em Nova Deli.
Começámos por visitar a India Gate. Foi construída em 1931, para homenagear cerca de 70 mil soldados indianos que perderam a vida ao serviço do Império Britânico durante a Primeira Guerra Mundial e em campanhas no Afeganistão. Se conseguirem, visitem-no também à noite pois o arco fica todo iluminado e com uma atmosfera super diferente.

Como não falhamos um, desta vez não seria excepção. Então, fomos conhecer o Hard Rock Delhi. Um pouco mais pequenino do que os que estamos habituados, mas igualmente imperdível.

Acabámos por almoçar mais cedo no Restaurante Saravana Bhavan, onde provámos o famoso Talhi, um dos pratos típicos indianos, que consiste em vários potinhos, cada um com seu sabor e textura.

Despedimo-nos assim destes dias intensos em Nova Deli. Nós não tivemos mais tempo, mas deixamos algumas sugestões que podem fazer sentido incluir no vosso roteiro na capital indiana: Akshardaham Temple e Qutub Minar.

Seguimos até à estação, onde apanhámos o primeiro comboio da viagem. O nosso destino era Jaipur, mas por norma as pessoas vão logo para Agra por ser uma distância menor. Nós optámos assim porque era o Festival Diwali e não havia tanta disponibilidade de comboios.

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A viagem de Deli para Jaipur demora pouco mais de 5 horas e custou 1715 INR para os dois. Para primeira experiência correu tudo bem – devemos confessar que estávamos com algum receio.

Chegámos ao nosso hotel (maravilhoso) em Jaipur mesmo a tempo de festejar o Diwali. Conhecido como o Festival das Luzes, o Diwali é uma das celebrações mais importantes do calendário indiano e representa a vitória da luz sobre a escuridão, do bem sobre o mal e do conhecimento sobre a ignorância.
Arranjam as casas e lojas e à noite o céu enche-se de fogo-de-artifício. Viver isto na Índia foi uma experiência que não vamos esquecer nunca!

Resumo do 2º dia:

  • India Gate
  • Hard Rock Delhi
  • Viagem para Jaipur

Dia 3 – Jaipur

Ficámos em Jaipur três dias. Jaipur é conhecida como a cidade rosa, visto que essa é a cor predominante em muitos dos edifícios do centro da cidade.

Ainda em Portugal, falámos com um indiano que conduz tuk-tuk em Jaipur e leva os turistas em passeio. Não há muita necessidade de o fazerem, visto que existe imensa oferta. No entanto, se quiserem alguém de confiança, deixamos o seu contacto: Ranjeet Singh – +919887012290 (digam que vão da nossa parte). Combinámos o que queríamos visitar naquele dia e o preço. Gostámos muito de conhecer o Ranjeet e a sua história de vida.

A primeira paragem do dia foi no Gatore Ki Chhatriyan (50 INR), um local pouco explorado por turistas. Trata-se de um conjunto de mausoléus, que ao contrário dos crematórios públicos, este espaço era reservado exclusivamente à realeza, tornando-o um local de grande importância histórica e simbólica. Incrível como gostámos tanto da paz ali sentida!

Seguimos viagem até ao Jal Mahal ou Palácio Da Água. Situado no Lago Man Sagar, este palácio parece flutuar sobre a água, pois tem cinco andares, dos quais quatro permanecem submersos quando o nível da água do lago está elevado. Actualmente, não é permitido visitar o interior do Jal Mahal.

Dali começámos a subir até chegarmos ao Forte Nahargarh, conhecido sobretudo pelas vistas panorâmicas sobre a Cidade Rosa. Aqui comprámos o bilhete combinado de Jaipur, que inclui entrada no Hawa Mahal, no Jantar Mantar, no Albert Hall Museum, nos fortes Jaigarh e Nahargahr. Tem um custo de 1100 INR por pessoa e é válido apenas por dois dias.

Veja aqui os destaques da nossa viagem

O Forte Nahargarh fazia parte do sistema defensivo de Jaipur, juntamente com o Forte Amber e o Forte Jaigarh. É uma visita muito interessante, mas destaca-se essencialmente pelas suas muralhas extensas e vistas panorâmicas sobre Jaipur, especialmente ao pôr do sol.

Pedimos recomendações ao nosso motorista para almoçar e ele levou-nos ao New Balaji Veg Restaurant. A comida estava boa e era barato.

Ao início da tarde fomos então explorar o famoso Amber Fort (incluído no bilhete combinado), que leva ainda duas horas para visitar. Classificado como Património Mundial da UNESCO, este complexo histórico combina grandiosidade arquitectónica, história fascinante e vistas deslumbrantes sobre o lago Maota e as colinas Aravalli.

De cá de baixo até ao forte são cerca de 15 minutos a pé, sempre a subir. Custa um bocadinho, mas por favor, não o façam em cima de um elefante. Chega de exploração animal!

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O forte, antiga residência real, é composto por vários complexos distintos e podemos dividi-lo em quatro pátios:

  • 1º Pátio: entrada principal onde fica o Suraj Pol (Portão do Sol) e o Jaleb Chowk, pátio principal onde fica a bilheteira. Era aqui que o exército desfilava ao voltar da guerra.
  • 2º Pátio: neste pátio encontra-se o Diwan-i-Am, uma estrutura que servia como uma sala de audiências públicas e trata-se de uma plataforma elevada com 27 colunas. Atentem ainda no portão Ganesh Pol, que é a entrada para os palácios privados dos marajás.
  • 3º Pátio: aqui fica o impressionante Sheesh Mahal (Palácio dos Espelhos), com os seus pequeninos mosaicos espelhados cobrindo cada pedaço que vai do rodapé ao tecto. Neste pátio encontramos ainda um lindo jardim todo simétrico, o jardim Char Bagh.
  • 4º Pátio: nesta zona há alguns corredores, escadarias e no meio do pátio existe o Baradari (um pequeno pavilhão coberto), onde as mulheres do palácio podiam encontrar-se secretamente, longe dos olhares dos homens.

Visitar o Amber Fort é imperdível!

Encontrámo-nos novamente com o nosso motorista cá em baixo e seguimos até à última paragem do dia: o Panna Meena Ka Kund. Trata-se de um poço de escadas (stepwell) e destaca-se pelo seu padrão geométrico perfeito. Este servia como reservatório de água e ponto de encontro comunitário. Neste momento só os locais as podem descer e reza a lenda que nunca se deve subir e descer pelo mesmo conjunto de escadas.

Despedimo-nos assim do Ranjeet e agradecemos pelo dia incrível que nos proporcionou. Jantámos perto do hotel, no TGIH Thank God Its Healthy, que tinha refeições muito saborosas.

Resumo do 3º dia:

  • Gatore Ki Chhatriyan
  • Jal Mahal
  • Forte Nahargarh
  • Amber Fort
  • Panna Meena Ka Kund

Dia 4 – Jaipur

No dia anterior tínhamos visitado vários locais mais afastados do centro. Assim sendo, dedicámos o 4º dia a explorar a zona mais central da cidade.

Apanhámos um tuk tuk até à Tripolia Gate, um dos dois importantes portões de entrada na cidade.

Ali perto encontramos ainda a Torre Isarlat Sargasooli, que foi construída em 1749 pelo Maharaja Ishwari Singh para celebrar uma vitória sobre o seu irmão Madho Singh e tem cerca de 45 metros de altura.

Dali fomos conhecer o Jantar Mantar (incluído no bilhete combinado). Classificado como Património Mundial da UNESCO, este observatório ao ar livre é um testemunho notável do conhecimento astronómico do século XVIII. O complexo integra uma série de instrumentos gigantes em pedra e mármore, que serviam para medir o tempo, prever eclipses, observar posições dos astros com grande precisão, as altitudes celestiais, entre outros.

Dentro das várias estruturas fascinantes ali presentes, destacamos o impressionante Samrat Yantra, o maior relógio de sol em pedra do mundo, com cerca de 27 metros de altura.

Seguimos então para o monumento mais emblemático de Jaipur, o Hawa Mahal, conhecido como Palácio dos Ventos (incluído no bilhete combinado). Com a sua fachada rosa repleta de pequenas janelas, este palácio destaca-se tanto pela beleza arquitectónica como pela história ligada à vida das mulheres da corte real. A sua principal função era permitir que as mulheres da realeza observassem a vida quotidiana e as procissões da cidade sem serem vistas.

Honestamente gostámos bem mais da sua fachada do que do interior. Ainda assim, vale a pena a sua visita!

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Para apreciar o Palácio dos Ventos de outra perspectiva, recomendamos que vão ao The Tatoo Café, que se localiza mesmo em frente. Tem de se pagar 250 INR por pessoa para entrar e tirar fotografias, mas se consumirem algo, desconta na conta final. Nós aproveitámos para almoçar lá!

Apanhámos um tuk tuk e fomos conhecer o Albert Hall Museum (incluído no bilhete combinado). Com milhares de peças expostas, permite viajar no tempo e perceber um pouco melhor o passado, não só da região mas de toda a Índia. Além disso, o edifício por fora também é muito bonito.

Este dia tem um roteiro mais desafogado, o que nos permitiu andar um pouco pelas ruas sem grandes planos. Decidimos então voltar ao anoitecer ao Hawa Mahal, que fica todo iluminado. Ficámos de queixo caído com tamanha beleza!

Acabámos por jantar ali perto, no The Mahal Restaurant, que recomendamos. Dali fomos descansar para o hotel, pois o dia seguinte ia ser bem preenchido.

Resumo do 4º dia:

  • Tripolia Gate
  • Torre Isarlat Sargasooli
  • Jantar Mantar
  • Hawa Mahal
  • The Tatoo Café
  • Albert Hall Museum

Dia 5 – Jaipur + Udaipur

Este que será o último dia em Jaipur, voltámos a contratar o motorista Ranjeet Singh (+919887012290), mas desta vez por meio dia.
Começámos o dia num dos locais mais fotografados da cidade: a Patrika Gate (entrada gratuita). A Patrika Gate é um corredor decorativo localizado junto ao Jawahar Circle, um dos maiores jardins circulares da Ásia.

Com uma simetria perfeita, é formada por 9 arcos externos e 8 internos. Cada arco, parede e tecto está coberto por pinturas detalhadas que representam a história, os costumes e a diversidade cultural do estado. Visto ser um lugar instagramável, onde até muitos casais indianos vão fazer a sua sessão de fotos de noivado, sugerimos que vão bem cedinho, para evitar multidões.

A segunda paragem do dia foi no Birla Mandir, também conhecido como Templo de Mármore. Trata-se de um templo hindu dedicado à deusa Lakshmi, associada à riqueza e prosperidade, e ao deus Vishnu (Narayan). No interior do templo, encontram-se esculturas, relevos e painéis que representam figuras do hinduísmo, mas também personalidades históricas e filósofos de diferentes culturas, promovendo uma mensagem de tolerância e universalidade. Não é possível fotografar o seu interior, e devemos vestir roupas que cubram ombros e joelhos, bem como deixar os sapatos à entrada.

Depois de sentirmos toda aquela paz e boa energia, deixámos o templo para trás e fomos conhecer o Monkey Temple, oficialmente conhecido como Galta Ji. Este complexo de templos é famoso pelos seus tanques sagrados, arquitectura tradicional e claro, pela grande quantidade de macacos que ali vive em liberdade.

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Localizado nas colinas Aravalli, o templo é dedicado ao deus Hanuman, a divindade-macaco, mas acima de tudo, é um importante centro espiritual, onde os fiéis realizam rituais de purificação nas águas sagradas. A entrada é gratuita e recomendamos que peçam ao vosso motorista para vos deixar perto do Hanuman Ji Temple, para não terem de subir tanto.

Apesar de os macacos estarem habituados à presença humana, é importante manter alguma distância. Além disso, evitem levar comida visível ou sacos nas mãos, não toquem nos macacos e protejam objectos soltos (óculos, telemóveis, garrafas, etc.).

Voltámos ao centro da cidade, onde nos despedimos do nosso motorista e agradecemos a sua simpatia. Almoçámos no Balaji Family Restaurant, que se localizava junto ao próximo destino.
Desta feita, fomos conhecer o City Palace, um dos monumentos mais emblemáticos do Rajastão. O City Palace (1000 INR por pessoa) é um vasto complexo de palácios, pátios e jardins, construído no século XVIII pelo Maharaja Sawai Jai Singh II. Actualmente, parte do palácio funciona como museu, enquanto outra área permanece privada e habitada pela antiga família real.

De todo o complexo, destacamos a Chandra Mahal, que é a residência real e o Mubarak Mahal, o museu do palácio que conta com trajes reais, tecidos tradicionais, armas cerimoniais e objectos históricos. Além disso, dentro do Diwan-i-Khas que era usado como um salão para audiências privadas do marajá, encontramos os dois maiores vasos de prata do mundo, que detêm o record do Guiness.

Destacamos ainda o Pritam Niwas Chowk, um pátio interno com quatro portas decorativas, cada uma representando uma estação do ano e dedicada a uma divindade hindu.

Veja aqui os destaques da nossa viagem

Toda a visita pode levar entre 1h30 a 2h e chamamos a atenção para as restrições na utilização de máquinas fotográficas. Nem sempre é evidente, mas em certas zonas existem sinais de proibição, estando sujeito ao pagamento de uma multa.

A última visita do dia foi o Templo Govind Devji, onde assistimos a uma parte de um ritual. É sempre muito impactante entender e respeitar culturas tão diferentes da nossa.

Acabámos por jantar novamente no TGIH Thank God Its Healthy e no nosso hotel deixaram-nos tomar um banho, antes de partimos para outra cidade. Adorámos ficar no All Seasons Homestay, pelo conforto, simpatia e limpeza. Recomendamos!

Esperava-nos uma viagem de comboio nocturno até à próxima cidade. Quase oito horas depois, chegámos a Udaipur e a viagem correu muito bem!

Resumo do 5º dia:

  • Patrika Gate
  • Birla Mandir
  • Monkey Temple
  • City Palace
  • Templo Govind Devji
  • Viagem nocturna para Udaipur

Dia 6 – Udaipur

Chegámos a Udaipur por volta das 7h da manhã. Udaipur, conhecida como a “Cidade dos Lagos” e “Cidade Branca”, é frequentemente descrita como a cidade mais romântica da Índia.
Como não havia nenhum quarto disponível no nosso alojamento, deixaram-nos tomar um duche na casa de banho de serviço e guardaram-nos as malas até ao check-in.

Assim sendo, começámos a seguir o nosso roteiro bem cedinho. A primeira visita do dia foi no City Palace (400 INR por pessoa). O palácio é enorme, com lindas vistas para o Lago Pichola e com uma arquitectura fantástica. As principais áreas a visitar são: Badi Mahal (“Jardim Suspenso”), Mor Chowk (pátio decorado com mosaicos de pavões em vidro), Sheesh Mahal (salão dos espelhos, usado para cerimónias privadas) e Zenana Mahal (área reservada às mulheres da corte).

Uma visita completa ao palácio demora cerca de 2/3 horas e recomendamos que vão bem cedinho. Os corredores são estreitos e na maioria há apenas um trajecto, o que faz com que as pessoas ali se acumulem e acreditem, com calor não é nada agradável.

No final da rua encontramos o Jagdish Temple e é o ponto seguinte a explorar. Este templo hindu destaca-se pela sua arquitectura esculpida em detalhe e pela intensa vida espiritual que o rodeia. Ainda conseguimos assistir a um ritual e foi incrivelmente profundo! Mas o que nos marcou mais foram sem dúvida os detalhes. As paredes exteriores estão cobertas por relevos minuciosos que representam deuses, figuras celestiais, dançarinos e cenas mitológicas. Cada detalhe parece contar uma história!

A entrada é gratuita e devem vestir-se respeitosamente, sendo que o calçado deve ser retirado antes de entrar.

Já eram horas, então decidimos almoçar um Thali no Neelam Restaurant, um restaurante familiar com preços muito em conta.

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Dali seguimos até ao Ganghor Ghat, localizado nas margens do Lago Pichola. Para contextualizar, ghat é o nome dado às escadarias que ficam na margem de lagos e rios na Índia. Neste pequeno ghat temos vistas privilegiadas para o lago e para as construções na outra margem.

Dali, e sem rumo, fomos passeando pelas margens do lago, onde nos deparámos com vários murais com arte de rua.

Devemos confessar que o cansaço se estava a apoderar de nós e decidimos ir descansar o resto da tarde para o hotel, visto que já tínhamos planos para a noite.

Assim sendo, por volta das 18h dirigimo-nos ao museu Bagore-Ki-Haveli, onde iríamos assistir ao espectáculo Dharohar Cultural Show. Este espetáculo nocturno oferece danças típicas do Rajastão, com vários tipos de dança e música tradicional. Nós adorámos!

O local onde se realiza o espectáculo é pequeno e os bilhetes esgotam muito rápido, daí recomendarmos irem cedo para a fila de forma a garantirem o vosso. A venda dos bilhetes começa às 18h, mas o espectáculo tem início às 19h e dura cerca de uma hora. O bilhete custa 250 INR por pessoa e se quiserem fotografar/filmar têm de pagar mais 125 INR por cada câmara (e sim, eles fiscalizam durante o espectáculo).
Não negamos que é um espectáculo muito turístico, mas nós gostámos muito de assistir!

No final do show, jantámos no Old Legacy Cafe, onde pedimos comida ocidental para intercalar com a indiana, e fomos descansar.

Resumo do 6º dia:

  • City Palace
  • Jagdish Temple
  • Ganghor Ghat
  • Bagore-Ki-Haveli para assistir ao Dharohar Cultural Show

Dia 7 – Udaipur + Agra

Deixámos o nosso hotel bem cedinho, para conhecer dois locais mais distantes de Udaipur. Normalmente há quem os visite quando vai para Jodhpur, visto que fica a caminho, mas como não íamos visitar essa cidade regressámos no mesmo dia a Udaipur.

A intenção era visitar o Forte Kumbhalgarh e o Templo Jain de Ranakpur, e como tal reservámos esta excursão privada. À hora marcada o nosso motorista estava à nossa espera e seguimos de carro até ao Forte Kumbhalgarh. A viagem leva cerca de 2h/2h30, mas a apreciar a paisagem faz-se muito bem.

O Forte de Kumbhalgarh (600 INR por pessoa), é conhecido pela sua muralha com mais de 36 km de extensão, sendo considerado a segunda maior muralha contínua do mundo. Este monumento histórico, classificado como Património Mundial da UNESCO, oferece vistas panorâmicas espectaculares.

Esta muralha foi concebida não apenas para defesa militar, mas também para controlar rotas comerciais importantes da região. Dentro do complexo fortificado encontram-se mais de 360 templos, maioritariamente jainistas, mas também hindus. Vale muito a pena a visita!

Seguimos viagem, mas pelo caminho parámos para almoçar, com a recomendação do nosso motorista. Posto isto, chegámos à nossa segunda paragem, o Templo Jain de Ranakpur. Pode parecer exagero, mas arriscamos a dizer que foi o templo mais bonito que já visitámos na nossa vida!

O preço de entrada é de 300 INR por pessoa (inclui áudio-guia que é obrigatório para turistas) e para além de nos termos de descalçar, temos também de tapar ombros e joelhos e as mulheres ainda têm de utilizar lenço na cabeça.
Assim que entramos dentro do templo sentimos uma queda considerável na temperatura, visto que é construído inteiramente em mármore branco.

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O templo é famoso pelas suas 1444 colunas esculpidas à mão e apresenta padrões únicos, com figuras geométricas, divindades, flores e cenas mitológicas. Além disso, não se esqueçam de olhar para cima e admirar as obras de arte nos tectos. Cada cúpula é adornada com mais detalhes, diferentes entre elas. O tamanho do templo é impressionante, mas são os detalhes requintados que o tornam especial.

O silêncio e a serenidade do espaço contribuem para uma experiência espiritual profunda, mesmo para turistas!

Regras obrigatórias:

  • Não são permitidos alimentos nem bebidas dentro do templo, inclusive água.
  • É proibido levar artigos de couro como cintos, carteiras, bolsas, etc.
  • Não se pode levar cigarros, tabaco e quaisquer outras substâncias tóxicas.
  • As mulheres são obrigadas a cobrir a cabeça ao entrar no templo.
  • Entrar descalços (sapatos devem ser deixados à entrada).
  • Deve-se cobrir ombros e joelhos.
  • As mulheres não podem entrar no templo durante o período menstrual.
  • Fotografias indecentes são proibidas dentro do templo.
  • É proibido tocar em ídolos e esculturas.
  • Silêncio e comportamento respeitoso.

Ainda visitámos outro templo que se localiza mesmo à frente, que por fora é também muito bonito, cheio de detalhes.

O dia já ia longo e regressámos de novo a Udaipur. Jantámos na cidade, o nosso hotel ainda nos deixou tomar um banho (tivemos muita sorte com os alojamentos) e seguimos para a estação de comboios. Esperava-nos mais uma viagem nocturna de comboio, desta vez até Agra. Apesar de ser uma viagem longa (cerca de 12horas) correu lindamente!

Resumo do 7º dia:

  • Forte de Kumbhalgarh
  • Templo Jain de Ranakpur
  • Viagem nocturna para Agra

Dia 8 – Agra

Chegámos a Agra por volta das 11h. Apanhámos um tuk tuk até ao nosso hotel, onde nos deixaram fazer o check-in mais cedo. Deixámos as malas, tomámos um banho e decidimos almoçar mais cedo. Escolhemos o Chia Taj View Cafe, um dos restaurantes com a  melhor vista para o Taj Mahal. Foi a primeira vez que vimos esta beleza e não conseguimos ficar indiferentes!

Assim sendo, tínhamos apenas meio dia para visitar alguns pontos turísticos. Negociámos então um tuk tuk que nos levou até à primeira paragem, o Túmulo de Itimad-ud-Daulah conhecido popularmente como Baby Taj (310 INR por pessoa).

O monumento foi construído por ordem de Nur Jahan, esposa do imperador mogol Jahangir, em memória do seu pai. Este facto torna o Baby Taj um dos primeiros mausoléus mogóis encomendados por uma mulher. O apelido Baby Taj deve-se às semelhanças arquitectónicas com o Taj Mahal, no entanto este último foi construído posteriormente por Shah Jahan, genro de Nur Jahan. Acredita-se que serviu como modelo experimental para técnicas e estilos que seriam aperfeiçoados no Taj Mahal.

O mausoléu está inserido num jardim charbagh, o tradicional jardim mogol dividido em quatro partes, simbolizando o paraíso islâmico. Além disso, destaca-se ainda pelo uso pioneiro do mármore branco e pela extraordinária decoração em pedra incrustada. Gostámos muito!

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Dali seguimos para o Taj Viewpoint ADA ao pôr do sol (300 INR por pessoa). O que torna este local tão impressionante é a vista que oferece do Taj Mahal, já que está situado na outra margem do rio com ângulo privilegiado para o monumento mais famoso da Índia.

Além da vista fenomenal, ir ao pôr do sol tornou o momento ainda mais especial. Depois de muitas fotografias, seguimos novamente para o centro de Agra, onde jantámos no Joney’s Place, que ficou super barato.

Resumo do 8º dia:

  • Baby Taj
  • Taj Viewpoint ADA

Dia 9 – Agra + Varanasi

Neste dia o despertador tocou bem cedo. Às 5h da manhã já estávamos na fila para a entrada do Taj Mahal. Um sonho tornado realidade! Recomendamos que também visitem o local bem cedo, a fim de evitar multidões.

Decidimos comprar os bilhetes aqui, porque assim tínhamos guia para nos explicar tudo sobre o monumento mais importante do país e além disso, tínhamos alguém para nos ajudar a tirar algumas fotografias.

O Taj Mahal foi mandado construir pelo imperador mogol Shah Jahan, em memória da sua esposa favorita, Mumtaz Mahal, que morreu durante o parto do seu 14º filho. A construção demorou mais de 20 anos, tornando-se o mais impressionante mausoléu jamais construído.

Foi concebido em mármore branca, incrustado com pedras preciosas, nas paredes estão inscrições retiradas do alcorão e a cúpula é costurada com fios de ouro. O mármore muda subtilmente de cor ao longo do dia, assumindo tons rosados ao amanhecer e dourados ao pôr do sol. Mais do que um simples edifício, o Taj Mahal representa a maior prova de amor, devoção e genialidade artística.

O Taj Mahal foi classificado como Património Mundial da UNESCO e foi anunciado em 2007 como uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno. A sua grandeza e beleza são realmente impressionantes!

O mausoléu está inserido num jardim charbagh, dividido em quatro partes por canais de água, simbolizando o paraíso islâmico. É totalmente simétrico, excepto os túmulos de Shah Jahan e de Mumtaz Mahal.

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Curiosidades e regras para visitar o Taj Mahal:

  • Abre 30 minutos antes do nascer do sol e fecha 30 minutos antes do pôr do sol durante os dias normais de funcionamento.
  • Fecha às sextas-feiras.
  • Existem vários portões de entrada (sul, leste e ocidental).
  • Há filas separadas para turistas estrangeiros e turistas nacionais entrarem.
  • O bilhete para turistas estrangeiros custa 1100 INR + 200 INR para visitar o interior do mausoléu.
  • É proibido fumar no local.
  • Alimentos e bebidas, excepto água, não são permitidos.
  • Mochilas grandes, tripés de câmera e drones não são permitidos.
  • Para entrar no mausoléu é necessário usar protector de sapatos.
  • É proibido fotografar dentro do mausoléu.

O Taj Mahal não é apenas um monumento histórico, mas uma experiência emocional e cultural única. A sua história de amor, aliada à perfeição arquitectónica e à riqueza artística, faz dele um dos lugares mais extraordinários do planeta. Como já dissemos, foi um sonho tornado realidade!

Devemos confessar que ficámos lá mais tempo do que era suposto. Mais uma fotografia, mais um vídeo, mais um bocado para apreciar… Afinal não é todos os dias que se está perante tamanha beleza!
Mas tínhamos mais pontos para visitar. Assim sendo, e por influência das redes sociais (não podemos negar), fomos até Dusshera Ghat com o intuito de andar de barco.

Há apenas um barco disponível para fazer o passeio e supostamente isso nem é legal. No entanto, há vários polícias mesmo ali e nunca disseram nada. Ah, e não éramos os únicos turistas, portanto isto já é uma prática recorrente. Pagámos 500 INR para atravessar a margem e voltar, para termos uma perspectiva diferente do Taj Mahal. Valeu muito a pena, apesar da legalidade do passeio!

Veja aqui os destaques da nossa viagem

Fomos almoçar e dedicámos a parte da tarde a visitar o Agra Fort (600 INR por pessoa). Classificado como Património Mundial da UNESCO, o Forte de Agra trata-se de um complexo vasto, rodeado por muralhas com cerca de 20 metros de altura e construído em arenito vermelho.

Um dos episódios mais marcantes da história do forte envolve Shah Jahan, o imperador que mandou construir o Taj Mahal. Nos seus últimos anos de vida, foi aprisionado pelo próprio filho, Aurangzeb, e passou os seus dias a contemplar o Taj Mahal a partir de uma das janelas do forte.

O local é enorme, com várias alas, salões decorados, palácios e jardins. Destacamos o Diwan-i-Am (Salão das Audiências Públicas), o  Diwan-i-Khas (Salão das Audiências Privadas), o Palácio de Jahangir (um dos edifícios mais antigos do complexo, conhecido pelos seus detalhes decorativos) e a  Musamman Burj (torre octogona, onde Shah Jahan passou os seus últimos dias, com vista directa para o Taj Mahal). Vale muito a pena a sua visita!

Acabámos por jantar um pouco mais cedo no rooftop do Taj Cafe Restaurant, que recomendamos! Nessa noite iríamos apanhar o último comboio nocturno da viagem, de Agra para Varanasi. Se até agora tínhamos tido muita sorte com os alojamentos que nos deixaram sempre tomar um banho antes das viagens, o mesmo não aconteceu em Agra. Para o fazermos teríamos de pagar mais uma noite por completo. Assim sendo, fomos ao hotel do lado, explicámos a situação e eles deram-nos um quarto para tomar banho por apenas 10€.

A viagem de Agra para Varanasi também correu lindamente e bem cedo já estávamos em Varanasi.

Resumo do 9º dia:

  • Taj Mahal
  • Dusshera Ghat
  • Agra Fort
  • Viagem nocturna para Varanasi

Dia 10 – Varanasi

Chegámos a Varanasi e fomos a pé até ao hotel, visto que no centro não circulam carros. Esperámos apenas um pouco e deixaram-nos fazer o check in mais cedo.

Situada nas margens do rio Ganges, Varanasi é considerada a cidade mais sagrada do hinduísmo e um dos destinos espirituais mais importantes do mundo. Visitar Varanasi é mergulhar numa experiência intensa, onde a vida, a morte e a fé coexistem de forma única e profundamente simbólica.

Para os hindus, aqui é o local onde o deus Shiva reside. Acredita-se que morrer em Varanasi e ter as cinzas lançadas no rio Ganges permite alcançar a moksha, ou seja, o fim do ciclo de renascimentos e a libertação espiritual. Trata-se de uma tradição antiquíssima, daí a cidade também ser conhecida como a “Cidade dos Mortos” ou a “Cidade Sagrada” do país.
Por essa razão, milhares de peregrinos visitam a cidade todos os anos para tomar banhos rituais no Ganges, realizar cerimónias religiosas, cremações tradicionais nos ghats e participar em festivais espirituais.

Começámos o dia por explorar Dashashwamedh Ghat. Ghat é o nome dado às escadarias que ficam na margem de lagos e rios na Índia, neste caso concreto do rio Ganges. Existem mais de 80 ghats em Varanasi, cada um com uma função específica. O Dashashwamedh Ghat é tido como o ghat principal de Varanasi. Por aqui, há sempre muita movimentação de pessoas, barcos e animais.

Apesar de muitos fiéis acreditarem no poder purificador do Rio Ganges, este é um dos rios mais poluídos do mundo. Essa poluição deve-se a descargas industriais, resíduos urbanos, rituais religiosos sem controlo e ainda falta de saneamento adequado. No entanto, para os hindus isso não é impeditivo.

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Assim sendo, Dashashwamedh Ghat (bem como os outros ghats) são utilizados diariamente para banhos rituais no rio Ganges, oferendas e orações e festivais religiosos.

Daí seguimos pela Rua Vishwanath, uma das mais antigas, estreitas e emblemáticas artérias da cidade. Percorrer esta rua é uma experiência sensorial intensa, onde encontramos pequenos templos e santuários, lojas de flores, incenso e velas, artesanato local e muito mais. Foi aqui que também vimos pela primeira vez Sadhus, que são hindus que abandonam bens materiais, família e estatuto social para seguir um caminho de renúncia, meditação e devoção. Vivem normalmente de esmolas, dependem da generosidade dos fiéis e dedicam a maior parte do tempo à oração, ao ioga e à contemplação.

Esta rua é uma das principais vias de acesso ao Templo Kashi Vishwanath, um dos mais importantes templos dedicados ao deus Shiva. Acredita-se que morrer em Varanasi, após visitar o templo, permite quebrar o ciclo de renascimentos.
A sua cúpula central é revestida com banho de ouro o que também o leva a ser chamado de ‘templo dourado’. O complexo do templo consiste em vários pequenos santuários, adornados com esculturas e muitos detalhes. Nós estávamos muito curiosos para conhecer o templo, mas a fila estava enorme e com todo o cansaço, optámos por não visitar. Como tal, sugerimos que vão bem cedinho a fim de evitar multidões.

Daí seguimos até ao Manikarnika Ghat, o mais antigo e mais sagrado ghat de cremação de Varanasi. Avisamos desde já que visitar este ghat é uma experiência intensa, profunda e transformadora, que exige respeito e compreensão cultural.

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O Manikarnika Ghat está activo 24 horas por dia, 365 dias por ano. As cremações nunca cessam, mesmo durante chuvas intensas ou festivais religiosos, ou seja a chama nunca se apaga.
Acredita-se que quem é cremado no Manikarnika Ghat alcança imediatamente a moksha, a libertação do ciclo de renascimentos. Por esta razão, milhares de famílias levam os seus mortos até Varanasi, com o desejo de garantir a salvação espiritual.

O processo inicia-se com o envolvimento do corpo em tecidos tradicionais e ainda colocam incensos e especiarias (daí o cheiro que se sente ser apenas o de lenha queimada). Depois disso, transportam o corpo pelas ruas até chegar ao ghat, seguido de um banho ritual do corpo no Ganges. Após a completa cremação em piras de madeira, colocam as suas cinzas no rio.

Só os familiares homens podem estar presentes ali, pois segundo os hindus as mulheres são mais sensíveis e acreditam que o choro vai destabilizar a alma, impedindo de encontrar a libertação.

Existem algumas pessoas que não são cremadas, pois já têm a moksha garantida: pessoas mordidas por serpentes, crianças, mulheres grávidas, pessoas com deficiência e Sadhus. Neste caso, o corpo é lançado directamente ao rio para decomposição natural.

Os turistas conseguem aproximar-se, se respeitarem algumas regras, nomeadamente não fotografar ou filmar as cremações, não tocar ou interferir nos rituais e evitar comportamentos sensacionalistas. Afinal de contas o local não é uma atracção turística, mas um espaço sagrado. Podemos afirmar que é difícil, muito explícito, mas ao mesmo tempo o momento é de tranquilidade. Aqui celebra-se a vida e a morte, encarada com naturalidade e espiritualidade.

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Ainda meio abananados, confessamos, visitámos o Sinking Temple, que se localiza ali bem perto. Este templo distingue-se por estar parcialmente submerso e inclinado, provavelmente devido a uma falha na sua construção. No entanto, este facto foi motivo suficiente para fazer com que os indianos criassem lendas e inúmeras simbologias acerca desse templo.

Dali seguimos para o Blue Lassi Shop, um local muito recomendado para beber lassi, servido em copos de barro e com sabores únicos. Realmente era muito saboroso e barato. O espaço é pequeno, com poucos bancos, e muitas vezes tem fila à porta. As paredes estão cobertas de fotografias, recortes de jornais e assinaturas de visitantes de todo o mundo.

Na verdade o lassi serviu de aperitivo, visto que já era tarde e estávamos com fome. Assim sendo fomos ao Phulwari Restaurant & Sami Café, um restaurante vegetariano com opções muito saborosas.

O resto da tarde tínhamos a opção de dois planos: ou dar uma volta pelas ruas, sem rumo e apenas apreciar, ou então conhecer dois templos um pouco mais afastados da cidade (Durga Temple e Sankat Mochan). Estávamos muito cansados e preferimos explorar com calma as ruas de Varanasi. Ainda assim, se ficarem mais tempo na cidade, fica a sugestão.

Assim sendo, voltámos ao Dashashwamedh Ghat para assistir a uma cerimónia muito especial, a Celebração Aarti. Trata-se de um ritual hindu de veneração realizado ao pôr do sol, dedicado a divindades e elementos sagrados da natureza, que neste caso é oferecida diariamente ao rio Ganges, considerado uma deusa viva pelos hindus. Esta celebração acontece todos os dias, ao final da tarde, por volta das 19h, onde centenas de pessoas se reúnem nas escadarias ou em barcos no rio para assistir à cerimónia.

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Devido à afluência, por volta das 17h decidimos ir procurar um cantinho para assistir à cerimónia. Apesar de ser gratuito, os lugares estavam quase todos ocupados. Então optámos por pagar um lugar (400 INR por cadeira) num rooftop ali perto para ver melhor.

Durante o ritual, os sacerdotes vestidos com trajes tradicionais executam movimentos coreografados com lamparinas de fogo, incenso, flores e conchas, ao som de mantras, sinos e música. Podem ver tudo nos destaques do nosso instagram – @blog.viveromundo.

Assistir à Aarti é muito mais do que ver um espectáculo religioso, é viver uma experiência espiritual profunda que marca qualquer viajante.

Resumo do 10º dia:

  • Dashashwamedh Ghat
  • Rua Vishwanath
  • Templo Kashi Vishwanath
  • Manikarnika Ghat
  • Sinking Temple
  • Blue Lassi Shop
  • Celebração Aarti

Dia 11 – Varanasi + Palolem Beach

Ainda não tinha amanhecido e já estávamos no Dashashwamedh Ghat, para fazer um passeio de barco no Rio Ganges. Combinámos com o pessoal do nosso hotel, que nos arranjou uma pessoa para nos levar e o passeio privado custou 1200 INR. Ver o nascer do sol no Ganges foi uma das melhores experiências que tivemos na Índia.

Assistimos aos rituais da população a agradecer mais um dia e presenciar esse momento, a partir de um barco, acompanhado pela luz crescente do nascer do sol, é absolutamente extraordinário.

Passámos ainda por vários ghats, nomeadamente o Manikarnika Ghat, o ghat das cremações. Mais uma vez, não deixa de impressionar e vê-lo de frente é ainda mais impactante. Mais do que um local de cremação, é um espaço de libertação espiritual, fé e aceitação do ciclo da existência.

Depois do passeio de barco, fomos fazer algumas compras e simplesmente apreciar o dia-a-dia na cidade mais sagrada da Índia.

Muitos viajantes terminam aqui a sua viagem, ou vão incluindo outras cidades – a Índia é enorme. Como era a nossa Lua de Mel e também queríamos conciliar cultura com lazer, decidimos dedicar os últimos dias da viagem a descansar na praia. Depois de alguma pesquisa, optámos por conhecer Palolem Beach, o que não desiludiu.

Veja aqui os destaques da nossa viagem

Assim sendo, e por serem distâncias maiores, fomos de avião de Varanasi para Bengaluru e daí para Goa, que é a cidade com aeroporto mais perto. Ambos os voos foram operados pela Indigo.
Como já chegávamos muito tarde a Goa, não haviam muitas opções para ainda ir para Palolem Beach no próprio dia. Assim sendo, reservámos um transfer ida e volta através da Daytrip. Foi a primeira vez que usámos, mas ficámos fãs. A viagem demora cerca de 1h30, mas foi super tranquilo – recomendamos!

Resumo do 11º dia:

  • Passeio de barco no Rio Ganges ao amanhecer
  • Viagem de avião + transfer para Palolem Beach

Dias 12, 13, 14 e 15 – Palolem Beach

Palolem Beach é uma das praias mais bonitas e icónicas de Goa, no sul da Índia. É conhecida pela sua baía em forma de meia-lua, águas calmas e ambiente descontraído, tornando a opção ideal para quem precisa de desacelerar dos dias intensos vividos no país. Ficámos alojados no The Village Resort Palolem que gostámos muito. O pequeno-almoço era muito saboroso e os funcionários muito atenciosos com os hóspedes.

No total ficámos 3 dias e meio a relaxar e a aproveitar a nossa Lua de Mel. Na verdade, ali há pouco mais para fazer do que curtir a praia, caminhar, comer e ir a banhos. Ah, e a água é super quente. Além disso, todas as espreguiçadeiras e chapéus são grátis, desde que consumam algo no bar/restaurante.

Num dos dias, fizemos um passeio de barco para (tentar) ver golfinhos e visitar algumas praias um pouco mais distantes. Não é necessário reservar com antecedência visto que à entrada da praia serão logo abordados. O passeio custou 1000 INR por pessoa e dura cerca de 1h a 1h30.

Ficámos muito felizes por conseguir ver golfinhos no seu habitat natural, é sempre um privilégio. Além disso, parámos na Butterfly Beach, que é muito bonita.

Além do passeio de barco, podem ainda andar de kayak e stand-up paddle na praia, ou praticar ioga, meditação e terapias holísticas. A rua principal também é muito pitoresca e conta com muitas lojinhas e restaurantes.

Experimentámos alguns restaurantes que recomendamos: Shiv Sai Restaurant, Camp San Francisco, Chill Out e Cheeky Chilli Restaurant.

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Encontrámos na Palolem Beach o destino ideal para quem procura paz, contacto com a natureza e uma verdadeira pausa do ritmo frenético das cidades indianas. Foi uma boa escolha!

Estava então na hora de regressar para casa, de coração cheio. Uma viagem à Índia leva tempo a processar, porque testa os nossos limites de humanidade. Ninguém fica indiferente ao que se vê e vive na Índia. É uma experiência intensa, transformadora e inesquecível. A Índia não é apenas um destino — é um mundo inteiro por descobrir.

O que comer

Rica em especiarias, sabores exóticos e tradições milenares, a comida na Índia varia imenso de região para região. No entanto, grande parte da população é vegetariana, pelo que encontrarão sempre as duas opções nos menus. Além disso, as especiarias como cardamomo, cominhos, gengibre, açafrão e garam masala são a base de muitos pratos e conferem aromas intensos e sabores profundos.

Butter Chicken (Murgh Makhani)

Um dos pratos indianos mais conhecidos internacionalmente. O butter chicken é feito com frango marinado em iogurte e especiarias, cozinhado num molho cremoso de tomate e manteiga.

Biryani

O biryani é um prato de arroz aromático cozinhado com especiarias, carne (frango, borrego ou peixe) ou legumes.

Thali

O thali é uma excelente forma de provar vários sabores num só prato. Consiste numa bandeja com pequenas porções de diferentes pratos: caril, legumes, arroz, pão indiano, chutneys e sobremesa. Cada região da Índia tem o seu próprio thali.

Masala Dosa

Típico do sul da Índia, o masala dosa é uma panqueca fina e estaladiça feita de arroz e lentilhas, recheada com batata temperada. É normalmente servida ao pequeno-almoço.

Chicken Tikka Masala

É composto por pedaços de frango grelhado envolvidos num molho de tomate e especiarias.

Dal Makhani

O dal makhani é feito com lentilhas pretas e feijão, cozinhados lentamente com manteiga e natas, o que resulta num prato cremoso.

Paneer Butter Masala

O paneer é um queijo fresco muito comum na Índia. Neste prato, serve-se num molho rico de tomate, manteiga e especiarias.

Samosa

Samosas são um lanchinho de rua, muito parecido com as nossas chamuças.

Puri Bhaji

Muito popular ao pequeno-almoço, o puri bhaji consiste em pão frito (puri) acompanhado de um caril de batata ligeiramente picante.

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Naan

Naan é um pão indiano delicioso e pode ser simples ou temperado com especiarias. O nosso favorito é o garlic naan, que fica com o alho torrado por cima. É delicioso!

Lassi

É iogurte indiano e consome-se em todas as refeições. Os clássicos são só com açúcar ou batido com alguma fruta (banana, manga, etc.).

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